Em sua obra Teoria dos Sentimentos Morais, de 1759, o britânico Adam Smith, pai da moderna ciência econômica, alinhavou os contornos de um poder emanado do povo, batizado quase dois séculos antes pelo pensador humanista francês Montaigne de “opinião pública”.
Esta semana, três episódios mostram como a opinião pública, ou o medo dela, vem se tornando um fator determinante na contenção dos impulsos de governantes e grupos econômicos de poder.
A precipitação do BNDS de colocar bilhões de reais do contribuinte em um negócio privado, foi revertido em poucos dias de repercussão extremamente negativa. Assim foi pelo ralo a fusão do Grupo Pão de Açúcar com o Carrefour.
A presidente Dilma Roussef, manteve a demissão de Luiz Antonio Pagot, diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes, um foco de corrupção. Pensou-se em poupar Pagot, mas pegaria muito mal junto à, de novo: opinião pública.
A nível internacional, o australiano Rupert Murdoch, magnata multinacional da imprensa, desistiu da compra do controle da maior operadora de televisão por satélite da Inglaterra, depois que um dos seus jornais sensacionalistas foi flagrado em crimes de espionagem e compra de informações. Diante da indignação geral fechou o jornal e engoliu as ambições televisivas.
A imprensa tradicional, que apura os fatos, esmiúça a realidade, fiscaliza o poder, encontrou na internet uma caixa de ressonância que deu a opinião pública dos países democráticos e as vezes, aos não democráticos também, a oportunidade de manifestar-se permanentemente.
Assim, governos em diversos níveis, realizam pesquisas quase que diárias para avaliar o impacto das decisões tomadas ou tentar antecipar como repercutirão, e já não é raro que mudem de direção aos sinais de desagrado da opinião pública.

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